FOTOS DE CAMINHÕES E FORNOS NO MUNICÍPIO DE CARINHANHA




"A operação denominada Trevo da Zizinha ", em alusão ao ponto de encontro dos caminhoneiros à beira da estrada do município de Feira da Mata, no oeste baiano, foi realizada pela superintendência do IBAMA de Brasília, responsável pela fiscalização da região. “Se a devastação continuar nesse ritmo, em menos de cinco anos não restará qualquer vestígio do cerrado ou da caatinga na região”, previu o coordenador das equipes de fiscalização, José Ribamar de Lima Araújo. Importante fronteira agrícola desde a década de 1970, o cerrado brasileiro tem quase 193 milhões de hectares de área em 11 estados. Representa quase 23% de todo o território e abriga 22 milhões de moradores. A caatinga tem 736,8 mil km², 10% do território brasileiro, e é um dos cinco maiores biomas – junto com a Amazônia, o pantanal, a Mata Atlântica e o vizinho cerrado.
Correio brasiliense - 06 de Outubro de 2008.
Um ano se passou e nada, absolutamente nada foi feito pelas autoridades: Poder Público, Ministério Público, CODEMA, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, após a operação denominada trevo da Zizinha, realizada pelo IBAMA e amplamente divulgada pelo importante jornal Correio Brasiliense.
Hoje dia 25 de Agosto a devastação das matas do cerrado e mata de transição do cerrado para a caatinga continua em larga escala, nesse período de um ano aconteceu a paralisação da atividade tão somente pela crise internacional.
O retorno desta perversa atividade que é a exploração do carvão, prática muitas das vezes autorizadas pelo IBAMA, e os carvoeiros produzem com esta conduta vários crimes contra a natureza: Espécies vegetais destruídas, muitas das quais não se recuperam, várias espécies animais são extintas, e ainda lançam na atmosfera muita fumaça, que além de causar doenças respiratória, engrossam a famosa camada de ozônio, provocando com isso o efeito estufa e o aquecimento do planeta terra. Esta atividade que consomem as árvores nativas e nativas frutíferas do cerrado e da mata de transição do cerrado para a caatinga, pelo impiedoso homem com o uso do machado e do motosserra, derrubando árvores centenárias, e estas na queda levam consigo pequenas árvores ainda em formação, sendo separadas em toras e levadas aos fornos para transformarem em carvão, viram fumaça, e Adeus florestas. No seu lugar fica o solo exposto e ressecado, impenetrável, salinizado, assoreado, desértico, adeus solo. Os animais que conseguem sobreviver a caça migram para outras áreas, mas que áreas? a devastação é por toda parte, adeus animais. O homem sufocado agoniza, e por fim, adeus Homem. Era uma vez os homens que habitavam o planeta terra, assim como foram os dinossauros.
As pessoas mais influentes de Carinhanha, na atualidade são as que degradam o meio ambiente e destoem a biota, comprometendo a sadia qualidade de vida da atual e futura geração. Mas não obstante, são essas pessoas que mais são aplaudidas e veneradas. As árvores tremem quando algumas delas se aproximam.
O IBAMA, e o IMA são os maiores incentivadores da destruição das matas em Carinhanha, pois autorizam desmatamentos para os grandes carvoeiros, e os pequenos sem o mesmo tratamento derrubam matas, produzem o carvão clandestino que são comprados e conduzidos em caminhões pelos coronéis do carvão com notas traficadas de Vanderlei, Barreiras e Riachão das neves.
A exploração do carvão acontece em todo o município, e os carvoeiros ainda colocam na cabeça dos produtores que se esta atividade parar todos vão morrer. Não se registrou em Carinhanha nenhuma morte de pessoa que deixou de produzir carvão, e num passado muito próximo os moradores da zona rural sobreviviam da produção de lavouras de subexistência como milho, feijão e mandioca, e plantio ainda da mamona, criação de pequenas aves, produção de ovos, engorda de porcos, criação de cabras, bodes e ovelhas e cultivo do algodão e produção da farinha.
O carvão tem ceifado muitas vidas em nosso município, vidas de pessoas pobres, sem vez e voz, deixando seus familiares sem nenhuma proteção social, e outros com deficiências físicas. o caso mais claro é o de um jovem de 26 anos, morador do bairro São Francisco em Carinhanha, que desloca-se com a utilização de uma moleta, pois fora atingido pelo aquecimento de fornos quando trabalhava pela Paraopeba, o mal é Osteoporose ( enfraquecimento dos ossos ) , e abandonado pela empresa, quando não era mais útil para o trabalho, e aí perguntamos cadê o Ministério do Trabalho ? esses trabalhadores do carvão não tem direito social, quando trabalham não tem carteira assinada que o garante dos benefícios.
Outro trabalhador rural entrevistado por nossa equipe, fala da grande alegria de ter deixado esta atividade de carvoaria, pois tinha constantemente problemas respiratórios e se sentia muito mal quando trabalhava para a Paraopeba e era obrigado a derrubar árvores frutíferas do cerrado como a cagaiteira, o araticum, o murici e outras plantas. Falava para o chefe do serviço : " Essa árvore é frutífera ", e o funcionário da empresa de minas dizia : Vocês são bestas " Nós viemos aqui foi buscar leite e não dar Leite ", queremos é dinheiro.
Será que o homem só vai parar a destruição quando descobrir que não se como e não se bebe dineiro ? Mas quando isso acontecer poderá ser muito tarde.
Esperamos que as autoridades possam respeitar o meio ambiente e coloquem as leis para funcionar, pois o artigo 225 da Constituição Federal diz : A preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações é de responsabilidade do Poder Público e da coletividade.
Acorde coletividade enquanto há tempo, pois os nossos recursos naturais estão sendo severamente destruídos, e dentre estes recursos estão as nossas nascentes, as lagoas, as matas, os animais, os riachos e os rios São Francisco e Carinhanha.
Precisamos unirmos para dar um basta a esta destruição que só interessa a poucos, que a cada dia engordam suas contas nos bancos e adiquirem mais e mais caminhões, enquanto isso nos resta a destruição, as doenças, as mortes nas carvoarias e o aquecimento do planeta.
O município de Carinhanha é referência Nacional de destruição da natureza e esses caminhões estacionados nas ruas, praças e por todas as nossas estradas e que são muitos, é sem dúvida uma grande afronta à sociedade, não podemos nos calar em benefício do sofrimento da coletividade.
As emprêsas Paraopeba, Calsete, RVR são as que estão em nosso município contribuindo com a destruição, pois as leis da Bahia não são cumpridas, devemos denunciar as mesma para fazer o reparo dos grandes danos que causaram ao nosso meio ambiente em nome do tão falado progresso.
Fotos acima ilustram os elementos da destruição.