domingo, 9 de agosto de 2009

O CARVÃO A OMISSÃO E OS POLÍTICOS DESTRUIRÃO O BIOMA CERRADO EM CARINHANHA

FOTOS DE CAMINHÕES E FORNOS NO MUNICÍPIO DE CARINHANHA





"A operação denominada Trevo da Zizinha ", em alusão ao ponto de encontro dos caminhoneiros à beira da estrada do município de Feira da Mata, no oeste baiano, foi realizada pela superintendência do IBAMA de Brasília, responsável pela fiscalização da região. “Se a devastação continuar nesse ritmo, em menos de cinco anos não restará qualquer vestígio do cerrado ou da caatinga na região”, previu o coordenador das equipes de fiscalização, José Ribamar de Lima Araújo. Importante fronteira agrícola desde a década de 1970, o cerrado brasileiro tem quase 193 milhões de hectares de área em 11 estados. Representa quase 23% de todo o território e abriga 22 milhões de moradores. A caatinga tem 736,8 mil km², 10% do território brasileiro, e é um dos cinco maiores biomas – junto com a Amazônia, o pantanal, a Mata Atlântica e o vizinho cerrado.
Correio brasiliense - 06 de Outubro de 2008.

Um ano se passou e nada, absolutamente nada foi feito pelas autoridades: Poder Público, Ministério Público, CODEMA, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, após a operação denominada trevo da Zizinha, realizada pelo IBAMA e amplamente divulgada pelo importante jornal Correio Brasiliense.
Hoje dia 25 de Agosto a devastação das matas do cerrado e mata de transição do cerrado para a caatinga continua em larga escala, nesse período de um ano aconteceu a paralisação da atividade tão somente pela crise internacional.
O retorno desta perversa atividade que é a exploração do carvão, prática muitas das vezes autorizadas pelo IBAMA, e os carvoeiros produzem com esta conduta vários crimes contra a natureza: Espécies vegetais destruídas, muitas das quais não se recuperam, várias espécies animais são extintas, e ainda lançam na atmosfera muita fumaça, que além de causar doenças respiratória, engrossam a famosa camada de ozônio, provocando com isso o efeito estufa e o aquecimento do planeta terra. Esta atividade que consomem as árvores nativas e nativas frutíferas do cerrado e da mata de transição do cerrado para a caatinga, pelo impiedoso homem com o uso do machado e do motosserra, derrubando árvores centenárias, e estas na queda levam consigo pequenas árvores ainda em formação, sendo separadas em toras e levadas aos fornos para transformarem em carvão, viram fumaça, e Adeus florestas. No seu lugar fica o solo exposto e ressecado, impenetrável, salinizado, assoreado, desértico, adeus solo. Os animais que conseguem sobreviver a caça migram para outras áreas, mas que áreas? a devastação é por toda parte, adeus animais. O homem sufocado agoniza, e por fim, adeus Homem. Era uma vez os homens que habitavam o planeta terra, assim como foram os dinossauros.
As pessoas mais influentes de Carinhanha, na atualidade são as que degradam o meio ambiente e destoem a biota, comprometendo a sadia qualidade de vida da atual e futura geração. Mas não obstante, são essas pessoas que mais são aplaudidas e veneradas. As árvores tremem quando algumas delas se aproximam.
O IBAMA, e o IMA são os maiores incentivadores da destruição das matas em Carinhanha, pois autorizam desmatamentos para os grandes carvoeiros, e os pequenos sem o mesmo tratamento derrubam matas, produzem o carvão clandestino que são comprados e conduzidos em caminhões pelos coronéis do carvão com notas traficadas de Vanderlei, Barreiras e Riachão das neves.
A exploração do carvão acontece em todo o município, e os carvoeiros ainda colocam na cabeça dos produtores que se esta atividade parar todos vão morrer. Não se registrou em Carinhanha nenhuma morte de pessoa que deixou de produzir carvão, e num passado muito próximo os moradores da zona rural sobreviviam da produção de lavouras de subexistência como milho, feijão e mandioca, e plantio ainda da mamona, criação de pequenas aves, produção de ovos, engorda de porcos, criação de cabras, bodes e ovelhas e cultivo do algodão e produção da farinha.
O carvão tem ceifado muitas vidas em nosso município, vidas de pessoas pobres, sem vez e voz, deixando seus familiares sem nenhuma proteção social, e outros com deficiências físicas. o caso mais claro é o de um jovem de 26 anos, morador do bairro São Francisco em Carinhanha, que desloca-se com a utilização de uma moleta, pois fora atingido pelo aquecimento de fornos quando trabalhava pela Paraopeba, o mal é Osteoporose ( enfraquecimento dos ossos ) , e abandonado pela empresa, quando não era mais útil para o trabalho, e aí perguntamos cadê o Ministério do Trabalho ? esses trabalhadores do carvão não tem direito social, quando trabalham não tem carteira assinada que o garante dos benefícios.
Outro trabalhador rural entrevistado por nossa equipe, fala da grande alegria de ter deixado esta atividade de carvoaria, pois tinha constantemente problemas respiratórios e se sentia muito mal quando trabalhava para a Paraopeba e era obrigado a derrubar árvores frutíferas do cerrado como a cagaiteira, o araticum, o murici e outras plantas. Falava para o chefe do serviço : " Essa árvore é frutífera ", e o funcionário da empresa de minas dizia : Vocês são bestas " Nós viemos aqui foi buscar leite e não dar Leite ", queremos é dinheiro.
Será que o homem só vai parar a destruição quando descobrir que não se como e não se bebe dineiro ? Mas quando isso acontecer poderá ser muito tarde.
Esperamos que as autoridades possam respeitar o meio ambiente e coloquem as leis para funcionar, pois o artigo 225 da Constituição Federal diz : A preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações é de responsabilidade do Poder Público e da coletividade.
Acorde coletividade enquanto há tempo, pois os nossos recursos naturais estão sendo severamente destruídos, e dentre estes recursos estão as nossas nascentes, as lagoas, as matas, os animais, os riachos e os rios São Francisco e Carinhanha.
Precisamos unirmos para dar um basta a esta destruição que só interessa a poucos, que a cada dia engordam suas contas nos bancos e adiquirem mais e mais caminhões, enquanto isso nos resta a destruição, as doenças, as mortes nas carvoarias e o aquecimento do planeta.
O município de Carinhanha é referência Nacional de destruição da natureza e esses caminhões estacionados nas ruas, praças e por todas as nossas estradas e que são muitos, é sem dúvida uma grande afronta à sociedade, não podemos nos calar em benefício do sofrimento da coletividade.
As emprêsas Paraopeba, Calsete, RVR são as que estão em nosso município contribuindo com a destruição, pois as leis da Bahia não são cumpridas, devemos denunciar as mesma para fazer o reparo dos grandes danos que causaram ao nosso meio ambiente em nome do tão falado progresso.
Fotos acima ilustram os elementos da destruição.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O RIO SÃO FRANCISCO SECA 35% EM 50 ANOS

RIO SÃO FRANCISCO

“A água doce é um recurso vital e a tendência de queda é motivo de preocupação.” Foi com essa frase que um dos mais conceituados cientistas do mundo, o chinês Aiguo Daí, coordenador do estudo que reuniu especialistas americanos do National Center for Atmospheric Research (NCAR), anunciou os resultados da mais completa e extensa pesquisa sobre a redução do volume de 925 rios do planeta. Segundo o pesquisador Daí, o rio São Francisco, o nosso “Velho Chico”, é o que amargou o maior declínio nos últimos 50 anos em território brasileiro - 35% dele secou, o que o coloca ao lado da delicada situação de outros grandes rios, sobretudo nos EUA, África e Ásia. Saber que o São Francisco está evaporando é preocupante para o Brasil.
Ele é, na verdade, um rio de integração nacional, traduzindo-se em uma espécie de “caminho natural” de ligação das regiões Sudeste e Centro-Oeste à região Nordeste. Desde as suas nascentes, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a sua foz, na divisa entre Sergipe e Alagoas, ele percorre 2,7 mil quilômetros. Ao longo de sua “jornada”, banha cinco Estados: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Apesar de receber água de 168 afluentes, o “Velho Chico”, descoberto em 1502, está sendo derrotado por um gigantesco fenômeno climático. Trata-se do “El Niño”, que aquece também as águas do Pacífico.
Os cientistas copilaram dados dos maiores rios do mundo abrangendo o longo período que se estende de 1948 a 2004 e concluíram que diversos deles, que atravessam algumas das regiões mais populosas, estão perdendo água. De acordo com os pesquisadores, o fluxo na bacia do Amazonas caiu 3,1%, enquanto outros rios brasileiros apresentaram números completamente opostos, até com elevação de nível na vazão.
No rio Paraná, por exemplo, houve um aumento da ordem de 60%. “Buscamos entender o caso do São Francisco, sobretudo porque a existência de resultados tão diferentes em um mesmo território não é comum”, diz Daí. “A variação está relacionada principalmente a mudanças na quantidade de chuvas nas regiões das bacias. Seguindo essa linha de raciocínio, torna-se impossível não pensarmos no El Niño.” Esse fenômeno meteorológico consiste em um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, afetando o clima do planeta em geral e, mais duramente, o de determinadas regiões específicas.
No estudo americano consta que durante o período em que o São Francisco foi analisado a região de sua bacia apresentou uma leve queda nos níveis de precipitações e um grande aumento de temperatura. “Esses dois fatores contribuíram para o grande declínio e escoamento do rio. É uma lei elementar da natureza: o aumento da temperatura eleva a evaporação e assim acaba reduzindo o fluxo da água”, diz o coordenador do projeto de análise do NCAR.
Na mesma situação de esvaziamento do São Francisco estão outros rios como o Amarelo, na China, o Niger, na África, e o Colorado, nos EUA - e todos abastecem áreas populosas. Um dos casos mais graves é justamente o do Colorado, que mesmo em anos de muita chuva já não consegue se recuperar enquanto deságua no Mar de Cortez. Ali o problema tem duas “nascentes”: a evaporação causada pelo “El Niño” e a transposição. O desvio das águas do Colorado para abastecer a agricultura acabou poluindo e desperdiçando grande parte do fluxo. Para revitalizá-lo, diversos projetos foram desenvolvidos com a finalidade de despoluí-lo e nele aumentar a biodiversidade aquática, que sofreu intensa alteração ambiental devido à construção de hidrelétricas. No Brasil, a transposição do rio São Francisco sempre tem gerado polêmica.
O projeto é da competência do governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, e está orçado em aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Serão dois canais totalizando 700 quilômetros de extensão e que, segundo o governo, estão destinados a assegurar oferta de água em 2025 a quase 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semiárida dos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
As críticas sobre o projeto recaem no fato de ele ser uma obra cara e que abrange somente 5% do território e 0,3% da população do semiárido brasileiro. Finalmente, diversos ambientalistas ressaltam também que a transposição poderá afetar intensamente o ecossistema ao redor de todo o São Francisco. Sobre um ponto, no entanto, não resta dúvida: alguma providência tem de ser tomada sobre um rio vital na união de regiões do País e que já perdeu 35% de sua água.
18.07.2009 - Reportagem da revista ISTOÉ. julho 2009.
Esperamos que com essa nova pesquisa da situação em que se encontra o nosso Velho Chico e toda a sua bacia, as autoridades, e a sociedade possa unir esforços no sentido da recuperação deste que é o rio da Integração Nacional, e que não fiquem fazendo política da situação atual, beneficiando-se dos votos nas eleições, e nada fazendo. Esse é um grande alerta, o pesquisador tem credibilidade e demonstrou que outros importantes rios do mundo também passam por problemas parecidos. Está mais do que na hora de fazer valer a vontade de recuperar o tempo perdido e deixar as propagandas e começar a AÇÃO da revitalização de fato.

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