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terça-feira, 4 de agosto de 2009

O RIO SÃO FRANCISCO SECA 35% EM 50 ANOS

RIO SÃO FRANCISCO

“A água doce é um recurso vital e a tendência de queda é motivo de preocupação.” Foi com essa frase que um dos mais conceituados cientistas do mundo, o chinês Aiguo Daí, coordenador do estudo que reuniu especialistas americanos do National Center for Atmospheric Research (NCAR), anunciou os resultados da mais completa e extensa pesquisa sobre a redução do volume de 925 rios do planeta. Segundo o pesquisador Daí, o rio São Francisco, o nosso “Velho Chico”, é o que amargou o maior declínio nos últimos 50 anos em território brasileiro - 35% dele secou, o que o coloca ao lado da delicada situação de outros grandes rios, sobretudo nos EUA, África e Ásia. Saber que o São Francisco está evaporando é preocupante para o Brasil.
Ele é, na verdade, um rio de integração nacional, traduzindo-se em uma espécie de “caminho natural” de ligação das regiões Sudeste e Centro-Oeste à região Nordeste. Desde as suas nascentes, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a sua foz, na divisa entre Sergipe e Alagoas, ele percorre 2,7 mil quilômetros. Ao longo de sua “jornada”, banha cinco Estados: Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Apesar de receber água de 168 afluentes, o “Velho Chico”, descoberto em 1502, está sendo derrotado por um gigantesco fenômeno climático. Trata-se do “El Niño”, que aquece também as águas do Pacífico.
Os cientistas copilaram dados dos maiores rios do mundo abrangendo o longo período que se estende de 1948 a 2004 e concluíram que diversos deles, que atravessam algumas das regiões mais populosas, estão perdendo água. De acordo com os pesquisadores, o fluxo na bacia do Amazonas caiu 3,1%, enquanto outros rios brasileiros apresentaram números completamente opostos, até com elevação de nível na vazão.
No rio Paraná, por exemplo, houve um aumento da ordem de 60%. “Buscamos entender o caso do São Francisco, sobretudo porque a existência de resultados tão diferentes em um mesmo território não é comum”, diz Daí. “A variação está relacionada principalmente a mudanças na quantidade de chuvas nas regiões das bacias. Seguindo essa linha de raciocínio, torna-se impossível não pensarmos no El Niño.” Esse fenômeno meteorológico consiste em um aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, afetando o clima do planeta em geral e, mais duramente, o de determinadas regiões específicas.
No estudo americano consta que durante o período em que o São Francisco foi analisado a região de sua bacia apresentou uma leve queda nos níveis de precipitações e um grande aumento de temperatura. “Esses dois fatores contribuíram para o grande declínio e escoamento do rio. É uma lei elementar da natureza: o aumento da temperatura eleva a evaporação e assim acaba reduzindo o fluxo da água”, diz o coordenador do projeto de análise do NCAR.
Na mesma situação de esvaziamento do São Francisco estão outros rios como o Amarelo, na China, o Niger, na África, e o Colorado, nos EUA - e todos abastecem áreas populosas. Um dos casos mais graves é justamente o do Colorado, que mesmo em anos de muita chuva já não consegue se recuperar enquanto deságua no Mar de Cortez. Ali o problema tem duas “nascentes”: a evaporação causada pelo “El Niño” e a transposição. O desvio das águas do Colorado para abastecer a agricultura acabou poluindo e desperdiçando grande parte do fluxo. Para revitalizá-lo, diversos projetos foram desenvolvidos com a finalidade de despoluí-lo e nele aumentar a biodiversidade aquática, que sofreu intensa alteração ambiental devido à construção de hidrelétricas. No Brasil, a transposição do rio São Francisco sempre tem gerado polêmica.
O projeto é da competência do governo federal, sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional, e está orçado em aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Serão dois canais totalizando 700 quilômetros de extensão e que, segundo o governo, estão destinados a assegurar oferta de água em 2025 a quase 12 milhões de habitantes de pequenas, médias e grandes cidades da região semiárida dos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
As críticas sobre o projeto recaem no fato de ele ser uma obra cara e que abrange somente 5% do território e 0,3% da população do semiárido brasileiro. Finalmente, diversos ambientalistas ressaltam também que a transposição poderá afetar intensamente o ecossistema ao redor de todo o São Francisco. Sobre um ponto, no entanto, não resta dúvida: alguma providência tem de ser tomada sobre um rio vital na união de regiões do País e que já perdeu 35% de sua água.
18.07.2009 - Reportagem da revista ISTOÉ. julho 2009.
Esperamos que com essa nova pesquisa da situação em que se encontra o nosso Velho Chico e toda a sua bacia, as autoridades, e a sociedade possa unir esforços no sentido da recuperação deste que é o rio da Integração Nacional, e que não fiquem fazendo política da situação atual, beneficiando-se dos votos nas eleições, e nada fazendo. Esse é um grande alerta, o pesquisador tem credibilidade e demonstrou que outros importantes rios do mundo também passam por problemas parecidos. Está mais do que na hora de fazer valer a vontade de recuperar o tempo perdido e deixar as propagandas e começar a AÇÃO da revitalização de fato.

4 comentários:

Anônimo disse...

É fod* , já perdeu 35% de sua águas e ainda querem desperdiçar mais água...

Viviane - Malhada disse...

A água é essecial para a sobrevivência da vida no planeta terra.Estamos tratanto de um assunto que é de interesse de todos nós.
Será que precisamos sentir a escassez da água em nossas vidas para darmos conta do seu valor?? Precisamos refletir que a água é o recursos mais precioso do planeta. ok

Anônimo disse...

Chegada de mineradora em Caetité divide opiniões.

Segunda, 17 de Agosto de 2009.

À beira da estrada, no distrito de Brejinho das Ametistas, em Caetité, o lavrador José Francisco da Silva pede carona. Havia andado cinco léguas - ou 30km - até ali, vindo de sua propriedade. Para chegar à sede do município, onde tinha marcada um cirurgia na vesícula, seriam outros 28 km. Dois ônibus quebrados em um posto próximo dimensionavam a dificuldade da tarefa. "A gente vive há mais de 40 anos em cima de um morro de pedra onde só pousa urubu", lastima o baiano de sotaque amineirado.

Próximo à divisa entre Bahia e Minas Gerais, a 757km da capital baiana, Caetité tem um imbróglio nas mãos. De um lado, a chegada da mineradora Pedra de Ferro, empreendimento que em 15 anos deverá extrair do subsolo algo em torno de 15 milhões de concentrado do minério.

Do outro, Igreja Católica e ambientalistas denunciam impacto ambiental e crescimento desordenado na região, além de uma pressão psicológica, já existente, para que agricultores vendam suas terras.

Possibilidade que, aos olhos de José Francisco, passa longe de ser compulsória. Minutos de conversa, e um quase delírio: "Se quisessem comprar minha terra eu vendia era correndo".

A especulação imobiliária de que são alvo moradores da zona rural daquela cidade e da vizinha Pindaí ainda não lhe bateu à porta. Do compadre, que deixou a casa depenando-lhe as telhas, recorda o que disse. "Zé, agora eu tô é rico". Do padre, contrário ao êxodo "forçado", o sertanejo desdenha: "Queria ver é ele morar aqui".

Em fase de licenciamento, o projeto carrega a marca da Bahia Mineração (Bamin), controlada pelo investidor indiano Pramod Argawal e pela ENRC, do Cazaquistão. Em troca da promessa de 4 mil empregos na construção da mina - reduzidos a 1,3 mil na fase de extração - Pedra de Ferro se beneficiará de 765m³ de água/hora do São Francisco, canalizada por 150 km de um duto até Malhada (BA).

Uma hipótese para o escoamento do ferro é a concretização da Ferrovia Bahia Oeste, entre Ilhéus (Ba) e Alvorada (TO). Apesar de já possuir outorga prévia da Agência Nacional de Águas (ANA) para extração no Velho Chico, a Bamin não tem o apoio de ambientalistas.

Emanuella Sombra | A Tarde

Arlinda disse...

Ler artigo como este que aborda um tema atual e evidente, remete-nos no mínimo a duas condições: de preocupação e de refelxão.
Preocupação por se tratar de um bem vital do qual, nós brasileiros fomos e ainda somos privilegiados devido á abundancia de água existente em nosso Torrão e de reflexão, pois a escassez de água que ora apavora ou as vezes não passa de modismo para muitos, é reflexo do uso inconsequente do liquido , como também do descaso para com suas nascentes, seu curso, suas margens, enfim, a falta de civilidade para se tornar civilizado.
O homem escravizou-se e hoje não tem em vista garantia de qualidade de vida ou até da propria vida para outras gerações de viventes de quaisquer espécie.
Compete a nós, nobre Castor, empenharmos não somente com discurso,pois este sem açao, não deixa de ser somente cansativo e mais um punhado de palavras sem fundamento, e, percebo que seu jeito de propagar a situação do cerrado através desta ONg que voce bem representa tem tudo para dar certo, já que, parte das escolas para os demais segmentos sociais. A escola continua e penso continuar por seculos a fio, sendo a mentora de transformações profundas na sociedade, portanto, vante colega!!! E em muito breve, cada aluno sentir-se-á feliz em apadrinhar uma árvore ou quem sabe- muitas árvores?
Dentro da minah humildade, estou ao seu lado , ou melhor: "Ao lado do CHICÃO"

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